Perigo de morte na circular
Autoridades aumentaram fiscalização para evitar acidentes na circular urbana
CARLOS RUI ABREU
Não há dia de chuva em que os bombeiros de Guimarães não são chamados para acidentes, muitas vezes com mortos, na circular urbana. Excesso de velocidade é apontado como a principal causa de sinistros naquela via.
"O perigo da estrada está nas pessoas. Vejo aqui cada uma, que é de bradar aos céus", comentou Paulo Silva, funcionário de uma empresa de distribuição de mercadorias que diariamente utiliza a circular urbana de Guimarães no trajecto que efectua de Famalicão para Felgueiras. O automobilista já tem presenciado alguns acidentes e defende que a colocação, em toda a extensão, de um separador central, poderia evitar algumas colisões na via, mas o grande problema é "a falta de senso das pessoas que não respeitam os limites de velocidade".
De facto, segundo a PSP, este mês ocorreram seis acidentes naquela via, dos quais resultaram um morto, quatro feridos graves e seis feridos ligeiros. Segundo a mesma fonte, "as causas prováveis, entre outras, são o excesso de velocidade". A circular urbana é, assim, tida pelas autoridades distritais como uma das que maior índice de sinistralidade apresenta, situação que poderá ser amenizada com a conclusão dos separadores centrais que actualmente já existem em grande parte do traçado.
"O separador será óptimo para evitar choques frontais", garante Bento Marques, comandante dos Bombeiros Voluntários de Guimarães, com base na experiência do que já foi feito no passado. "Após a saída para o hospital, colocaram separadores centrais e a sinistralidade baixou. Foi um bom remédio", lembrou.
Os bombeiros têm aquela via referenciada como problemática e embora Bento Marques concorde que, em alguns pontos, o traçado é sinuoso, o comandante atira as responsabilidades dos acidentes para a incúria dos automobilistas. "O excesso de velocidade está na origem de quase todos os acidentes que acontecem na circular, porque há falta de educação dos automobilistas que não respeitam a sinalização", afirma.
Esta é também a opinião de alguns automobilistas ouvidos pelo JN, como o comerciante José Carlos Fernandes. "Parece-me que as pessoas abusam um pouco na velocidade. Isto não é propriamente uma auto-estrada ou uma pista de automóveis". O condutor assume, contudo, que a estrada lhe parece mal feita. "Tem pelo menos três curvas que parecem ter a inclinação ao contrário. Em dias de chuva, fica um caos".
Bento Marques reconhece que existem "800 metros complicados", entre as saídas da Universidade e de S. Torcato e, neste ponto, causa-lhe "alguma espécie" o facto de que quem origina a maioria dos acidentes é quem vai no sentido ascendente. "Não há explicação, porque quem os causa é quem transita no sentido ascendente e depois choca de frente com quem desce". Nos dias de chuva, a perigosidade aumenta e os bombeiros de Guimarães têm quase sempre a tarefa de se deslocar à circular para socorrer automobilistas. Já após o final da circular, em plena EN 105, o problema são os inúmeros atropelamentos em passadeiras, junto a Polvoreira e Nespereira.
Estas ligações, para serviços externos ao Jornal de Notícias, permitem guardar, organizar, partilhar e recomendar a outros leitores os seus conteúdos favoritos do JN(textos, fotos e vídeos). São serviços gratuitos mas exigem registo do utilizador.
