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Pequeno comércio teme surgimento de novo shopping

Obras no âmbito da Capital Europeiada Cultura já têm retirado clientes no centro da cidade

CARLOS RUI ABREU

O comércio tradicional em Guimarães vai ter, a partir de hoje, quarta-feira, mais uma prova de fogo. Com a abertura de mais uma grande superfície no concelho, os pequenos comerciantes temem que o impacto possa ser irreversível.

"Não acho que o impacto que esta abertura vai ter no comércio tradicional possa passar. Vai ser muito forte". Calos Teixeira, presidente da Associação Comercial e Industrial de Guimarães (ACIG), foi elucidativo quando confrontado com a abertura do Espaço Guimarães, que hoje abre as portas ao público, em Silvares. Carlos Teixeira traça um cenário negro para os comerciantes tradicionais que viveram, nos últimos seis meses, um clima de "alguma depressão" já que sobre eles pairava esta inauguração e ainda o cenário de obras alargadas na cidade no âmbito da Capital Europeia da Cultura. "O que lamento é que a lei não obrigue os grandes grupos económicos que se instalam a dar apoios substanciais ao comércio tradicional. A solução passa pela instalação de lojas-âncora no centro histórico", advoga Carlos Teixeira.

Junto dos comerciantes, a abertura do Espaço Guimarães está a ser recebida de forma algo receosa. "Há um aumento louco de lojas na região e isso deixa-me apreensivo, mas acho que os comerciantes têm de saber lidar com essas dificuldades e tentarem arranjar forma de ultrapassar a situação", afirmou José Guimarães, proprietário da rede de lojas TOPE, de pronto-a-vestir. Noutro ramo, o da perfumaria, Maria Augusta Leite e Paula Briosa não acreditam que "a febre da abertura" dure por muito tempo". Na perfumaria Camélia acredita-se que, pelo facto de ser uma época de Natal, o negócio se possa ressentir, mas garantem que "não há nada como o comércio tradicional". Grande defensor do pequeno comércio, Fernando Araújo, da Oculista Dinis, não tem dúvidas de que os prejuízos vão aumentar. "O problema é que as casas que serviam com dignidade a população estão a desaparecer. A nossa arma é a competência e o atendimento personalizado, que ainda atrai clientes", frisou.

Para a revitalização do comércio no centro histórico, Carlos Teixeira dá como exemplo o do vizinho. "Braga é um bom exemplo. Tem parques perto e lojas de grandes marcas no centro. É o que falta a Guimarães", comparou.

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