Administração de Saúde conclui que taxas de mortalidade são inferiores às do Norte
Não há relação entre as mortes por doenças oncológicas e as linhas de alta tensão em Serzedelo. Um estudo da ARSN nega as suspeitas da população, que considera "ambígua" a análise da Administração de Saúde.
O estudo da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) conclui que não há ligação entre as linhas de alta tensão e as mortes por doenças oncológicas em Serzedelo (Guimarães). O Movimento Contra as Linhas de Alta Tensão diz que a conclusão "não é surpresa", mas não responde a todas as dúvidas. E não vai baixar os braços quanto a protestos (ver caixa).
O estudo conclui que "não existe um padrão diferente de mortalidade, nem um maior risco de morrer no concelho nem em Serzedelo quando comparados com a região Norte e com o país" e que os valores dos campos electromagnéticos estão dentro dos valores de referência. "Não há motivos que justifiquem a preocupação da população residente", conclui o estudo.
Um outro trabalho, realizado pela Autoridade de Saúde de Guimarães, procedeu à caracterização dos óbitos ocorridos em residentes no concelho e respectivas freguesias, no período 1997-2005, tendo concluído que as taxas anuais de mortalidade observadas no concelho foram inferiores às da região Norte e de Portugal Continental.
Diz a ARSN que as duas principais grandes causas de morte em Guimarães (tal como na região e no país) foram as doenças do aparelho circulatório e os tumores malignos.
"Não se observou em Serzedelo um risco de morrer por tumores malignos significativamente superior ao observado no concelho de Guimarães, tanto no que diz respeito aos tumores malignos em geral como no que diz respeito aos tumores do aparelho digestivo e respiratório (os mais frequentes)", conclui o estudo.
De resto, um estudo preliminar da mesma entidade, de Março deste ano, referente ao período de 2003 a 2005, aponta para uma taxa de mortalidade associada ao cancro inferior em Serzedelo em comparação com outras freguesias do concelho: entre os homens é de 3,46 por mil e entre as mulheres de 4,88 por mil, ao passo que existem localidades do concelho onde os valores sobem para 10,94 por mil e 10,33 por mil, respectivamente.
"A conclusão do estudo não é surpresa nenhuma", diz Manuel Silva, porta-voz do Movimento Contra as Linhas de Alta Tensão de Serzedelo. Embora desconheça o estudo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, "conheço apenas o que diz a comunicação social", aquele responsável diz que "já o estudo preliminar apontava a mesma conclusão".
Perante as conclusões da ARSN, Manuel Silva argumenta que o estudo "é ambíguo" uma vez que permanecem ainda desconhecidos alguns dados assim como os parâmetros utilizados no estudo. "Uma pessoa a quem foi diagnosticado um tumor e que morre de acidente de viação conta como um caso de morte por tumor maligno?", questiona o líder do movimento à laia de exemplo.
Recorde-se que uma das primeiras acções do movimento foi um levantamento informal sobre a presença na freguesia de casos de doenças oncológicas nos últimos 10 anos. "O que queremos saber é quantos casos de cancro foram diagnosticados na freguesia entre 1997 (ano em que as linhas chegam à localidade) e 2007", diz Manuel Silva.
O estudo da ARSN não vai fazer esmorecer a luta do movimento, garante. Quer ao nível local quer nacional - foi em Serzedelo que ficou constituído o Movimento Nacional contra as Linhas de Alta tensão em Zonas Habitadas, que no essencial defende o enterramento das linhas. "Há zonas do país onde as novas linhas já começam a ser enterradas, como é o caso de Cascais. Queremos a mesma solução para as linhas aéreas que existem em Serzedelo e noutras zonas", conclui.