Estudantes e sócios das secções não conseguem trabalhar devido ao ruído "extremo"
O bar que abriu, em Março, no jardim da Associação Académica de Coimbra, está a arrasar os nervos de estudantes e sócios de organismos autónomos. Dizem que o ruído "extremo", até às 6 da manhã, os impede de trabalhar.
"Há dias em que não se pode falar cá dentro. Queremos discutir ideias e é impossível, porque nem sequer nos conseguimos ouvir uns aos outros". Estamos na sala da Direcção do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC). É a tesoureira quem fala. Maria Inês Pinela diz que o bar é "insuportável", bem como "tudo o que acarreta": os "vidros a tremer", a urina que fica junto à sala de ensaios, o desaparecimento de material cénico.
No espaço ocupado pelo Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra (GEFAC), que tem as janelas ao nível do jardim, ouvem-se queixas idênticas. Diz-se, do bar, que é uma "discoteca ao ar livre", mas "não tem os mesmos deveres que uma discoteca normal". A música alta - que atinge o pico por volta das 3 da manhã, prolongando-se até às 6 horas - é a maior fonte de perturbação. Mas não a única.
Ter gente a vomitar à porta ou a urinar contra as janelas tornou-se habitual, conta Henrique Patrício, do GEFAC. "Também fazemos as nossas festas [aponta um amontoado de grades de cerveja]. Nunca tivemos queixas de outras secções. E qualquer secção se queixa do bar", frisa, lembrando que, durante a noite, há sempre gente a trabalhar nos organismos.
O GEFAC, por exemplo, faz "noitadas a preparar espectáculos", diz Henrique, que contesta, especialmente, o estender da festa até às 6 da manhã. "Normalmente, as pessoas vêm de outros sítios para acabar a noite aqui", reforça um elemento da secção, que prefere não ser identificado.
Tudo isto é confirmado por uma aluna da Faculdade de Letras, frequentadora da sala de estudo da AAC, que também pede o anonimato: "À noite, não se pode. O barulho é extremo, sobretudo se houver festas ou espectáculos. Durante a tarde, há som ambiente. Eu uso auscultadores e mesmo assim..."
"Já recebemos queixas e elogios [relativamente ao bar do jardim]. Estamos a tentar encontrar o ponto óptimo", sustenta, por seu turno, o presidente da Direcção-Geral (DG) da AAC, Jorge Serrote. "Apostámos no reforço da segurança do edifício, para que as pessoas não subam aos pisos e se evitem certas situações à porta das secções", explica o estudante, garantindo estar atento a estas "preocupações".
Outra questão levantada por estudantes e membros de secções é o estado do jardim, desprovido de relva. "Aquilo não é jardim nenhum, é a calçada para o bar", lamenta Maria Inês Pinela. "A vedação que colocámos foi destruída. Vamos deixar passar estes dias [da Festa das Latas], em que há mais gente, para plantar a relva", responde Jorge Serrote.
O JN contactou Tomás Ramalho, da empresa inTocha, que explora o bar, mas este não quis comentar, antes remeteu qualquer esclarecimento para a DG/AAC.
A Câmara de Coimbra, por seu lado, fez saber que o bar do jardim da AAC "tem o projecto aprovado, mas ainda não possui horário de funcionamento aprovado". Fonte da autarquia informou, também, que "estão já instaurados vários processos de contra-ordenação, contra a AAC e os exploradores, relativos a queixas de ruído", sem precisar de que queixas se trata.