Guerra entre compartes e Junta dura há quatro anos
Cerca de dois mil hectares de baldios de Vide são administrados pela junta de freguesia local desde 1986, mas uma comissão de compartes, constituída há quatro anos, reclama a sua gestão desde então. A autarquia não cede.
Há uma 'guerra' em Vide, uma aldeia de Seia perdida na serra, que opõe uma comissão de compartes e a junta de freguesia local. Tudo por causa dos baldios que todos querem administrar.
Dia 1 de Junho, numa assembleia que juntou cerca de uma centena de pessoas, o clima esteve tenso. Houve gritos e ânimos exaltados. O presidente da junta, que também é comparte, foi dos que mais 'berrou'. O autarca leu e deixou à mesa quatro comunicados de protesto e disse em voz alta que a reunião não passava de uma "trapalhada", avisando que tudo o que ali fosse discutido e aprovado "não teria nenhuma validade jurídica". Depois, abandonou a sessão a meio e levou consigo mais de metade dos presentes.
A assembleia continuou. Mas só com os apoiantes dos órgãos directivos da comissão de compartes, que acusam a Junta de Freguesia de "inércia" na gestão dos baldios. "Nunca fez nada por aqueles terrenos, apenas os explorou", denunciou António Baptista Freire, até agora presidente do conselho directivo da assembleia de compartes da freguesia de Vide.
Na conturbada reunião, que elegeu novos directores, Baptista Freire aparece como vice-presidente do mesmo órgão, e disponível para continuar a ajudar no que for necessário. Lembrou os contratos com as eólicas e as candidaturas aos fundos comunitários para a reflorestação dos baldios, construção de caminhos, aceiros, pontos de água, entre outras obras. Exigiu também que a Junta de Freguesia de Vide prestasse contas dos quase 20 anos de gestão dos baldios. "Não tenho de prestar contas a essa gente. Eles elegeram-se de forma ilegal. O caso já está aliás em tribunal, é por isso que não quero prestar mais declarações", explicou o autarca João Mendes Dias, depois de ter abandonado a sala onde decorria a assembleia de compartes.
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