Dia de "mudanças" na Avenida
Moradores afectados pelo incêndio retiram objectos de valor antes do início das obras
TELMA ROQUE
Os moradores do número 21 da Avenida da Liberdade, afectados há um mês por um incêndio, começaram ontem a retirar roupas e objectos de valor do interior das casas. Hoje ainda é dia de meter tudo em caixotes.
"Finalmente viu as suas coisas, mexeu, abriu portas e gavetas. Chorou ao ver bens estragados, mas autorizar a entrada da minha sogra em casa foi a melhor coisa que lhe fizeram. Ela andava muito angustiada por não saber como estavam a casa", explicou ao JN Luísa Alvarez, nora de Maria do Rosário, uma idosa de 80 anos que habitava o terceiro andar direito.
Desde o fatídico incêndio - que deflagrou num prédio devoluto contíguo, mas que acabou por causar sérios danos no número 21 - a entrada dos moradores andava limitada, o que originou diversos protestos e críticas à Câmara Municipal, Protecção Civil e Polícia Municipal.
Agora que as obras de requalificação do prédio vão avançar, foi dada luz verde para a retirada de bens durante todo o fim-de-semana. As "mudanças" arrancaram muito cedo na manhã de ontem. "Havia objectos e móveis que pensei que estariam estragados, mas estavam intactos. Os tectos ficaram muito escangalhados e o chão está cheio de altos", contou Luísa Alvarez.
Maria do Rosário preocupou-se sobretudo em recuperar documentos, roupas e mercearias que não se estragaram com o fogo. "Em tempos de crise, tem que ser assim. Não dá para estar a comprar tudo de novo, há que aproveitar", frisou a familiar.
Sem casa para morar não se sabe por quanto tempo, Maria do Rosário tem feito temporadas em casa da nora Luísa, da neta e de um outro filho.
Iñaki Paiva de Sousa, do quinto andar esquerdo, pouco ou nada tem para retirar do apartamento onde morava com a família. "Só a cozinha e o quarto do meu irmão ficaram mais ou menos intactos. O resto está entre os escombros", lamentou. Da casa dos avós, que habitavam o piso inferior, contava salvar loiças e outros objectos de valor.
António Ramalho, do quinto andar direito, perdeu a conta de quantas vezes a plataforma elevatória subiu e desceu com caixotes e caixotes de livros e quadros, bens que julgava ter perdido para sempre. "Só pretendo levar mesmo a minha biblioteca e as minhas obras de arte, mais nada", afirmou.
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