Tendas não convencem famílias ciganas a voltar
PSP apreendeu quatro armas aos desalojados e deteve uma pessoa por posse ilegal
NUNO MIGUEL ROPIO
As famílias ciganas da Quinta da Fonte, em Loures, recusam ser alojadas nas tendas cedidas pelo Exército que foram montadas à entrada do bairro. Preferem continuar junto à Câmara Municipal e prometem novos protestos.
Cinco enormes tendas de lona verde, capazes de acolher cada uma 16 pessoas, foram montadas, ontem, durante oito horas, por um batalhão do Exército, num terreno baldio junto ao bairro Quinta da Fonte, na Apelação. Sem água, luz, instalações sanitárias ou fogões: um cenário só semelhante a um autêntico campo de refugiados. "Quem é que o senhor presidente da Câmara acha que somos? Ainda nos querem diminuir mais, para nos colocarem todos juntos em tendas", queixava-se, ao JN, Anabela Guerreiro, membro da comunidade cigana, quando confrontada com a possibilidade de oito famílias terem de viver naquelas instalações, provisoriamente, nos próximos três meses, enquanto as suas casas são arranjadas.
As 70 famílias ciganas que fugiram do bairro permanecem, desde anteontem, acampadas em frente à Câmara Municipal de Loures, rejeitando voltar ao bairro por temerem o confronto com a vizinha comunidade africana e preparam-se para rumar à sede do Governo Civil de Lisboa na próxima semana. Pelo segundo dia consecutivo, cerca de 200 pessoas, entre as quais 105 crianças e 15 idosos, fizeram da relva as suas camas e garantiram não se importar de ter de rumar a qualquer outro bairro, que não a Quinta da Fonte.
O presidente da Câmara de Loures, Carlos Teixeira, reafirmou, ontem, que não existem alternativas às tendas instaladas no bairro e que o regresso é inevitável. "Foram os representantes das famílias ciganas que propuseram como melhor solução contentores ou tendas", adiantou o autarca, após uma reunião com representantes dos desalojados. Versão desmentida, em uníssono, pelos ciganos, que Teixeira prometeu não afastar da praça do município com recurso à força.
A manhã de ontem começou agitada, com uma rusga da PSP de Loures às viaturas daquelas famílias, estacionadas no largo do município. Os 50 agentes detiveram um indivíduo de 24 anos e apreenderam quatro armas, uma delas ilegal. O jovem acabou por ser libertado ao final do dia e será ouvido na próxima segunda-feira no Tribunal de Loures.
Para segunda-feira, as associações de jovens do bairro estão a preparar uma "Marcha pela Paz" e vão também pintar as fachadas.
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