Um comboio com 380 crianças de Espinho avariou, anteontem, perto de Coimbra, a meio da viagem de regresso do passeio ao Jardim Zoológico de Lisboa. A falta de luz e de ar condicionado provocou situações de pânico.
Um passeio de final de ano lectivo ao Jardim Zoológico de Lisboa acabou, anteontem, com um grande susto para 380 alunos do 4.º ano, de escolas de todo o concelho de Espinho. Tudo aconteceu já no regresso quando o comboio onde as crianças viajavam, acompanhadas por 70 adultos, incluindo o presidente da Câmara, José Mota, avariou a meio do caminho, na zona de Taveiro, perto de Coimbra.
O dia tinha corrido bem e assim continuava desde que haviam partido da estação de Sete Rios, em Lisboa. O problema foi quando, cerca das 20.50 horas, a locomotiva do comboio, fretado para a ocasião pela Câmara, avariou. Faltou a electricidade para alimentar todos os sistemas do comboio, nomeadamente o do ar condicionado e, a dada altura, duas das cinco carruagens ficaram mesmo completamente às escuras.
Assustadas, muitas das crianças entraram em pânico. Segundo o presidente da Junta de Freguesia de Espinho, Rui Torres, houve quem sentisse falta de ar associada ao intenso calor que se fazia sentir e também quem vomitasse, tal era o nervosismo. "Foi necessário organizar uma fila para as casas de banho até porque a certa altura também lá faltou a água", contou o autarca ao JN.
"Apesar do susto que provocou a falta de luz, o maior problema foi falta do ar condicionado e depois a contra-informação. As crianças estavam tão assustadas que já faziam perguntas sobre se lhes ia acontecer o mesmo que ao avião da Air France", recordou Rui Torres.
Enquanto se procurava solução para a avaria da locomotiva, abriram-se janelas e portas do comboio para que circulasse o ar e foi distribuída água.
Segundo fonte oficial da CP, operacionais da empresa, bem como o próprio presidente, Cardoso dos Reis, mantiveram-se em contacto permanente com José Mota, nomeadamente para lhe pedir desculpas pelo sucedido.
Com a ajuda de uma locomotiva de socorro, o comboio voltou a andar quase duas horas depois, às 22.37 horas, chegando ao destino depois da meia-noite, para grande alívio dos pais.
"As informações que nos chegavam é que havia crianças maldispostas, a chorar, umas a vomitar, outras com falta de ar, e isso, claro, assustou-nos. Mas, no fim, soubemos que a CP fez tudo para minimizar o problema e acabou tudo em bem", contou ao JN o pai de uma das crianças, José Carvalhinho.