Sem alterar as características arquitectónicas do edifício, o Pavilhão Rosa Mota, no Porto, vai entrar em obras no final do próximo ano. A requalificação, orçada em 18,5 milhões de euros, deverá estar concluída no último trimestre de 2011.
O projecto de reabilitação, que viu a candidatura ao Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) aprovado há um mês, inclui "áreas de expansão em cave com frente para a Avenida das Tílias, um novo restaurante e uma nova sala para cerca de 1200 lugares, além de áreas técnicas indispensáveis", descreveu, ontem, o arquitecto José Carlos Loureiro, durante a apresentação da requalificação do espaço. Curiosamente, o responsável que seguirá a obra é o mesmo autor do desenho do Pavilhão Rosa Mota, iniciado em 1951 (ler texto ao lado).
As alterações que serão implementadas no edifício (sem modificar a sua traça original, uma vez que este está classificado) vão permitir que, para além das actividades desportivas, exposições e grandes concertos, festas, circo e pista de gelo, se realizem igualmente congressos de plenário até 6000 mil lugares e seminários ou reuniões de menor dimensão, com salas com capacidade entre os 322 e os 1180 lugres.
A Câmara do Porto vê, desta forma, resolvido um dos problemas com que se debateu nos últimos anos de "ter um edifício emblemático na cidade, mas que devido às suas propriedades tinha uma fraca adesão", explicou Rui Rio, presidente da Autarquia, que ontem também esteve presente na apresentação do projecto.
Assim, o novo equipamento será também um espaço aberto à realização de eventos privados e de âmbito internacional.
O arquitecto José Carlos Loureiro salvaguardou que "toda a intervenção será realizada com um respeito muito grande pela área envolvente", nomeadamente pelo jardim do Palácio de Cristal, com particular cuidado com as árvores classificadas e de grande interesse pelo porte ou espécie.
"Há volumes que foram 'metidos a martelo' na Avenida das Tílias (já depois da minha intervenção) que vão ser substituídos. Da mesma forma que o lago, que actualmente não passa de um charco, vai ser transformado, dando lugar a um espelho de água", descreveu o arquitecto.
A reabilitação do Pavilhão Rosa Mota, que na próxima terça-feira vai ser submetido à apreciação do Executivo camarário, resulta de uma parceria público-privada entre a Câmara do Porto, a Parque Expo, o Pavilhão Atlântico e o Coliseu do Porto.
Cabe à Autarquia financiar a recuperação do edifício com a maior fatia do investimento (cerca de 10 milhões de euros).
Ainda assim, a Câmara do Porto espera recuperar o dinheiro através das rendas a pagar pelos privados que possam explorar o equipamento.
O resto do capital será suportado pelos parceiros privados (em três milhões de euros) e por fundos comunitários do QREN.
De resto, o Pavilhão Rosa Mota será gerido por uma empresa que será "ainda constituída", afirmou Rui Rio. Nesta sociedade, cerca de 20% será mantido pela empresa municipal Porto Lazer e a maioria - 80% - por privados.
Retoma projecto 58 anos depois
"Sinto uma emoção natural, porque pensei o projecto do Pavilhão Rosa Mota há 58 anos e nunca pensei exibir-me desse feito como estou a fazê-lo agora", confessou, ontem sorridente, o arquitecto José Carlos Loureiro, o mesmo autor da obra que foi iniciada em Dezembro de 1951. O arquitecto, 83 anos, que garantiu "fazer o melhor que puder para que o edifício seja o que a Câmara do Porto espera", esclareceu que "independentemente dos novos objectivos propostos para a estrutura", o Pavilhão "está a precisar de obras urgentes de manutenção". Porém, José Carlos Loureiro - que no passado dia 24 de Abril foi galardoado com a Medalha Municipal de Mérito (Grau Ouro) pela Câmara do Porto - assegurou que "não vão ser alteradas as características arquitectónicas do edifício, porque há que manter a sua traça original". Certo é que "o novo equipamento não vai deitar a baixo nenhuma árvore".