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Câmaras na Ribeira filtram os alertas

Videovigilância na Ribeira já permitiu detectar uma situação de agressões e prevenir incidentes

HUGO SILVA

A videovigilância na Ribeira (Porto) permite à polícia filtrar muitas chamadas falsas que chegam via 112. Há quem ligue a denunciar desordem... quando nada se pas-sa. No Comando da PSP vê-se, em tempo real, que o alerta é falso.

Garante-se, assim, uma melhor gestão do efectivo policial, que poderá acorrer a situações reais. E os alertas falsos, muitas vezes, não são fruto da ingenuidade ou mera brincadeira dos autores, mas esquemas para desviar as atenções das autoridades.

Quase dois meses depois da entrada em funcionamento das câmaras de vigilância no Centro Histórico, o subcomissário Tiago Gonçalves admite que ainda não é possível fazer uma avaliação detalhada do impacto do sistema. Mas as vantagens são evidentes: antecipar focos de confusão e enviar polícias antes que os incidentes ganhem dimensão, registar ilícitos criminais e garantir uma melhor gestão de recursos. Mesmo à distância - o centro de visionamento das imagens fica no Comando Metropolitano da PSP, na Batalha - é possível avaliar, com precisão, qual o contingente adequado para cada situação.

Há sempre um polícia em frente aos dois monitores onde se vêem as imagens captadas pelas câmaras. O chefe António Branco já é um "veterano". Com os olhos nos ecrãs, manobra o joystick que permite controlar as câmaras. É possível rodar os equipamentos 360 graus (uma volta completa) ou fazer zoom e captar, na perfeição, pormenores como matrículas. António Branco mostra que os operadores também podem programar uma "patrulha": as câmaras varrem, de forma automática, determinados planos definidos.

A privacidade dos moradores das zonas vigiadas está garantida pela barra cinzenta que cobre as imagens das janelas dos prédios. É impossível ver o que se passa no interior das habitações. Na rua, o caso muda de figura. E Tiago Gonçalves revela que já foi detectada uma situação de agressões.

Em caso de ilícitos, as imagens servem de prova. Há um prazo de 72 horas para enviar as filmagens ao Ministério Público, especificou Tiago Gonçalves. Salvaguarda: apesar das imagens estarem disponíveis todo o dia, as gravações só estão autorizadas entre as 21 e as 7 horas. Mesmo assim, está vedada a audição e gravação de som. Ao fim de 30 dias, destroem-se as gravações. De acordo com a autorização da Comissão de Dados, e como explicou António Fonseca, presidente da Associação de Bares da Zona Histórica, principal impulsionadora do sistema, a videovigilância será avaliada após um ano de funcionamento, para determinar se deve continuar.

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