É uma das maiores empresas de iluminações de Natal e, por isso, Porto, Lisboa e outras capitais de distrito são clientes habituais. Desde o ano passado, o negócio, sediado em Gaia, chegou também a Inglaterra.
Longe vão os tempos em que o lema da Castro Iluminações Festivas, criada em 1921 numa pequena fábrica em Espinho, era "trabalhar no Verão para se comer no Inverno". Ainda assim, o êxito da empresa está alicerçado numa fórmula simples: o carpinteiro António Araújo e Castro decidiu arriscar-se na ornamentação de festas, fazendo arcos em madeira.
"Na altura, ainda não havia lâmpadas e as romarias eram iluminadas até as velas acabarem", relatou, ao JN, António Castro, bisneto do fundador da empresa, que actualmente divide a administração com o irmão Jorge.
Enquanto olha para as peças desse tempo - o espólio está exposto no museu da empresa -, António desenha o percurso do negócio que tem como slogan "Realizamos sonhos". Em qualquer das fases da Castro Iluminações Festivas, o empresário repete, sem querer, a palavra "família".
Mesmo depois de o negócio ter mudado de umas simples instalações de 1300 metros quadrados, em Espinho, para uma imponente fábrica de 12 mil metros quadrados, em S. Félix da Marinha, Gaia.
"Com os actuais 120 funcionários continuamos a ser uma família", garante o administrador, que não se esquece de elogiar "a coragem" da avó Maria Augusta, que liderou o projecto nos anos 50 e "a visão pró-activa capaz de provocar efeitos surpresa" do pai António Jorge. "A empresa tinha ainda uma produção sazonal, quando o meu pai, em 1971, decidiu, fazer uma viagem pela Europa a fim de conhecer o que lá por fora se fazia em termos de iluminações".
Passados quatro anos, a Castros Iluminações Festivas teve a responsabilidade de decorar uma das ruas de Lisboa. Mais tarde, já com a quarta geração à frente da empresa - António e Jorge Castro - seguiu-se o Porto.
Todavia, 88 anos depois da criação do negócio de família, os métodos de trabalho são "outros" e a par das ornamentações das romarias, os Castros começam a trabalhar nas iluminações de Natal com "quase um ano de antecedência", confessou, António Castro
Para o efeito, todos trabalham com "afinco": dos criativos aos engenheiros, passando pelos serralheiros e electricistas. Já as montagens no exterior são a "última fase de todo o processo" que, no caso do Porto, "arrancou em finais de Outubro".
"A única condição para a concretização do trabalho é a questão financeira", explicou o empresário que, mesmo sem referir valores, garantiu que "a Câmara do Porto gastou menos dinheiro que no ano passado".
Se é verdade que até às luzes serem acesas, António Castro diz sentir uma "grande ansiedade", o empresário tem ainda bem presente a "excitação" da sua empresa ter sido responsável, este ano, pelas decorações da Oxford Street, em Londres, Inglaterra. "Em 2008, fomos convidados a fazer a Regen Street que acabou por ser um bom teste", assegurou o administrador. Porém, a primeira experiência internacional aconteceu "já há alguns anos" nas Ramblas, em Barcelona (Espanha). Seguiram-se França, Alemanha e Chipre.