Vizinhos não pregam olho com "karaoke" da fanfarra
Abaixo-assinado já foi entregue à Câmara, Junta e MAI
MANUEL VITORINO
As noites de "karaoke" estão a causar protestos aos moradores da Alameda de S. João, em Oliveira do Douro. "É uma berraria", dizem. Como a lei do ruído "não está a ser cumprida", a Junta irá, esta quarta-feira, debater o problema.
A "sinfonia desconcertante" acontece todos os fins-de-semana no Largo da Alameda de S. João, nas traseiras do Parque da Lavandeira, em Oliveira do Douro, Gaia. Diz quem lá vive que as "festas" estão a tirar o sono e a provocar intranquilidade. "É uma pouca-vergonha. Tenho o marido doente e os responsáveis das festas não guardam respeito por ninguém. Se pedimos para baixar o ruído, insultam-nos", alegou uma idosa, que evita dar a cara "para evitar represálias dos senhores da Associação Cultural e Recreativa Fanfarra da Alameda de S. João".
As conversas junto ao pulmão verde de Gaia estão em sintonia: "A PSP já cá veio várias vezes, mas depois de pedir a licença alegam não poder fazer nada. E os moradores não têm o direito ao silêncio, à tranquilidade, ao bem-estar?", pergunta, em jeito de revolta, um dos subscritores do abaixo-assinado já entregue à Câmara de Gaia, Junta de Freguesia de Oliveira do Douro e Ministério da Administração Interna. No documento, afirma-se que a música dura até de madrugada e, como tal, não permite o descanso de quem aqui ali vive e trabalha. "As festas são acompanhadas por música ininterrupta, karaoke e altos berros transmitidos por um potente sistema de som que, por vezes, faz estremecer as janelas das habitações mais próximas".
A pauta dos protestos teve, porém, outra leitura por parte da associação: "É tudo mentira. O abaixo-assinado não tem razão de existir. Estão a dar má-fama à colectividade. Não sei por que estão a fazer isso", disse, ao JN, Paulo Gonçalves, presidente da direcção da Associação Cultural e Recreativa Fanfarra da Alameda de S. João.
Quanto ao barulho causado pelas "festas" em noites de fim-de-semana, Paulo Gonçalves insistiu que o som debitado pela aparelhagem "não prejudica os moradores. A PSP já foi várias vezes à nossa sede e não encontrou nada de especial", diz, numa alusão ao facto de alguns residentes insinuarem a existência de "cenas pouco dignas" provocadas pelo excesso de álcool. "Nas noites de karaoke não há misturas, nem droga nem sexo. A gente tem muito cuidado com a música ", concluiu.
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