Plano em estudo para incentivar o mergulho engloba o afundamento artifical de navio
O fundo do mar de Sesimbra faz as maravilhas de milhares de mergulhadores. Para incentivar ainda mais esta atracção turística, um museu subaquático e o afundamento artificial de um navio estão já a ser ponderados.
"Estamos a negociar a criação de um museu subaquático e está-se a estudar a hipótese de afundar um barco", revelou, ao JN, o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, salvaguardando, porém, que a localização ainda não está decidida.
Os projectos estão a ser estudados em conjunto com a Divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática do IGESPAR, no caso do museu, e com a Marinha para o afundamento artificial de um navio obsoleto, para além do Parque Natural da Arrábida, que abrange toda a zona marítima sul de Sesimbra. "Queremos afirmar cada vez mais Sesimbra como um destino turístico para o mergulho. Temos condições únicas e riqueza de fauna e flora", realça o autarca.
Um das grandes vantagens da Baía de Sesimbra é estar virada para Sul, com águas calmas que permitem entradas no mar 365 dias por ano. "Isto é o melhor sítio para mergulhar em Portugal", considera Fernando Borges, um dos mergulhadores que ontem desceu ao River Gurara, um navio naufragado ao largo do Cabo Espichel (ver caixa). "Do ponto de vista recreativo e turístico é perfeito", adianta.
O mergulho de ontem serviu para recordar a história, bem como valorizar um dos pontos de maior interesse para o mergulho da região, que recebe cerca de 13 mil mergulhadores por ano.
"O River é o sítio mais mergulhado do país. Temos muitos naufrágios, mas este é natural", garante Paulo Guerreiro, de 43 anos, residente em Sintra e membro da Associação Tridacna, que se dedica às actividades náuticas e que presta este fim-de-semana uma homenagem ao River Gurara, após 20 anos.
"O mergulho em naufrágio tem sempre suscitado grande interesse. E o River transformou-se num recife", frisa a organizadora das comemorações, Vanda Pinto.
O primeiro mergulhador a explorar o navio foi José Tourais, de 53 anos, de Lisboa que assistiu ao naufrágio no topo das escarpas do cabo e dias depois foi verificar o estado do navio debaixo de água. "Vi-o afundar, mas no sítio onde afundou quando cá vim já não estava barco nenhum. Deslocou-se uns 50 metros", lembra o responsável da escola de mergulho Nautilis, que ontem transportou até ao local os mergulhadores que simbolicamente colocaram uma placa comemorativa junto à hélice.
"Este navio está demasiado partido e pode não durar", alerta José Tourais, justificando a necessidade de conservar o local de mergulho, tendo em conta que os destroços do navio estão afundados em três zonas distintas.
A proa está situada a 200 metros da costa e a 30 de profundidade, enquanto a popa - a mais visitada - está a cerca de 100 metros da costa e a 25 de profundidade. Mais afastado, na direcção do Cabo Espichel, está o ferro de fundear. Os amantes do mergulho criticam por isso a falta de bóias de sinalização, que é feita com recurso a pontos de referência situados em terra.