Vianenses rejeitam adesão à Comunidade Intermunicipal
Abstenção não vincula referendo. Moura não poupa críticas à lei no discurso da vitóriaRejeição.
LUÍS H. OLIVEIRA E ANA P. FERNANDES
Os eleitores de Viana do Castelo rejeitaram, ontem, de forma expressiva, a adesão do concelho à comunidade formada pelos restantes municípios do distrito. Em consulta popular materializada por 27.101 votantes (de um universo de 88.109), o "Não" contabilizou 16.347 votos (62,2%) e o "Sim" 9.934 (37,8%). A abstenção no referendo concelhio viria a ser de 69,2%, o que leva a que a consulta popular não seja vinculativa.
No discurso da vitória, o presidente da Câmara de Viana do Castelo e rosto do movimento pelo "Não", Defensor Moura, não poupou críticas à lei das comunidades, considerando-a "anti-democrática" e "anti-constitucional", assinalando que "nem a comissão de coordenação regional, nem os membros do Governo e nem a Assembleia da República souberam interpretar o sentimento dos vianenses, assim como não souberam interpretar o sentimento da maioria das comunidades locais do país, que foram vítimas desta lei chantagista".
Moura teceu, ainda, duras críticas aos aparelhos partidários e disse que Viana do Castelo "não aceitou nem vai aceitar que os seus direitos, de acesso aos fundos comunitários e de livre associação com outros municípios, sejam coartados". Instado a responder sobre se se recandidatava como independente nas próximas autárquicas, afirmou esperar que os partidos mudem. "Se não mudarem, logo veremos", disse.
Por sua vez, o movimento que defendia a adesão nem chegou a sentir o sabor de uma possível vitória. Com um único triunfo, por cem votos, em Lanheses (em 40 freguesias), e dois quase empates (Barroselas e Deão), os defensores do "Sim" atribuíram, ontem, a vitória do "Não" ao facto de aquele movimento ter colocado no terreno "uma máquina poderosíssima". Assinalaram a importância da elevada abstenção e decretaram a extinção do movimento.
O seu líder, António Gonçalves, deixou no ar a possibilidade de os seus membros voltarem a dar cartas na política local, após "um período de nojo". "O eleitorado tem sempre a última palavra e nós a respeitamos, mas os movimentos de cidadãos não acabam aqui. Nós continuaremos a pugnar pelos interesses de Viana do Castelo e do Alto Minho", assegurou.
Estas ligações, para serviços externos ao Jornal de Notícias, permitem guardar, organizar, partilhar e recomendar a outros leitores os seus conteúdos favoritos do JN(textos, fotos e vídeos). São serviços gratuitos mas exigem registo do utilizador.
