Academia do Politécnico suspende praxe e nega abusos
TERESA CARDOSO
A Associação Académica do Instituto Superior Politécnico de Viseu anunciou, ontem, sexta-feira, a suspensão de todas as actividades de praxe até ao início da semana do caloiro.
A decisão é justificada pelo presidente do órgão, Rafael Guimarães, com a necessidade de travar a "calúnia, difamação e ataques pessoais" que, sob anonimato, estão a pôr em causa o bom nome da instituição de ensino superior e todas as suas estruturas académicas.
Em causa está um alegado negócio entre bares de diversão nocturna e "doutores" do Conselho Viriato (CV), órgão regulador da praxe, acusados de incentivar os caloiros a consumos excessivos de álcool para obtererem contrapartidas pessoais.
O CV é liderado há quatro anos, por escolha dos seus membros (sertórios), por Ana Pinto, aluna do ISPV com 10 matrículas. O facto de a estudante trabalhar num bar, na zona de Jugueiros, faz dela um dos principais alvos da denúncia de envolvimento no negócio dos caloiros.
"Pomos a mão no fogo pela nossa colega", diz Rafael Guimarães, enquanto Carlos Santos, outro membro da AA, garante tratar-se da "pessoa mais capaz da academia".
Embora recuse a ideia de que alguém esteja a lucrar particularmente com a ida dos caloiros aos bares, Rafael Guimarães admite, tal como Ana Pinto já tinha feito antes, que as "tertúlias académicas" privilegiam os estabelecimentos que patrocinam as iniciativas do CV.
"As empresas apoiam até 25 euros. Mas isso não significa que os novos alunos, quando lá vão, sejam obrigados a consumir álcool", avança o presidente da AA.
Os 700 caloiros do ISPV estão divididos em 26 grupos. Quando participam em tertúlias, correm os bares acompanhados por 54 "doutores" . "Não são incentivados e muito menos obrigados a beber. À meia noite vão todos para casa", conclui Guimarães.
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